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Senado derruba Messias e inflige ao governo Lula sua maior derrota no Congresso desde 1894

Por: Jean Zap – Em: 30 de abril de 2026

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Em votação secreta e histórica, 42 senadores rejeitaram o nome do advogado-geral da União para o STF — a primeira recusa de uma indicação presidencial à Corte desde a redemocratização.

Por Redação Política — 29 de abril de 2026


Era uma quarta-feira de outono em Brasília quando o Senado Federal escreveu um capítulo inédito na história republicana do Brasil. Com 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, o plenário da Casa Alta rejeitou a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal — impondo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a derrota política mais estrondosa de seu terceiro mandato.

Em 132 anos, o Senado havia rejeitado apenas cinco nomes para o STF, todos em 1894, durante o conturbado governo de Floriano Peixoto. Messias é o primeiro indicado a ser barrado após a Constituição de 1988.

A votação secreta, realizada após uma sabatina de mais de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça — onde Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11 —, desfez o otimismo que o Planalto ostentava publicamente. O governo calculava ter ao menos 45 senadores ao seu lado. O resultado final mostrou que as contas estavam erradas em pelo menos onze votos.

“Essa é a circunstância do Senado diante dessa polarização, sobretudo pressionado pelo processo eleitoral. Não é agradável.” — Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso.

A semana de tensão entre Executivo e Legislativo condensou meses de atritos acumulados. Lula anunciou o nome de Messias em novembro do ano passado para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Mas a mensagem oficial só chegou ao Senado em 1º de abril — um atraso de 132 dias que descumpriu, mesmo sem obrigação legal, a cordialidade política esperada na relação entre os Poderes. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga, não escondeu seu desconforto desde o primeiro momento.

Em sua sabatina, Messias apostou nos acenos. Declarou ser “totalmente” contra o aborto, exaltou a Constituição como seu “primeiro código de ética” e fez uma defesa enfática da separação de poderes — num possível recado ao próprio Supremo. A oposição, porém, já havia construído seus votos muito antes do microfone ser ligado. Senadores de direita se organizaram desde a formalização da indicação e transformaram a votação em um teste de força em ano pré-eleitoral.

O revés deixa Lula diante de uma escolha delicada: insistir no nome do AGU, expondo o governo a um novo desgaste, ou escolher outro perfil que seja aceito por um Senado cada vez menos deferente ao Palácio do Planalto. Lideranças governistas indicam que o presidente não deve se apressar. A vaga no STF, aberta há mais de cinco meses, pode permanecer em aberto até depois das eleições de outubro.

Ao deixar o plenário, Messias foi lacônico e digno: “A vida é assim. Tem dias de vitória e dias de derrota. O Senado é soberano. Faz parte do processo democrático saber ganhar e saber perder.” Em Brasília, poucos discordaram da segunda parte da frase.

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Jean Zap

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