Nepal pode sofrer nova avalanche após tragédia com mais de 300 mortos; entenda

O Nepal permanece em alerta após a devastadora tragédia que atingiu a região próxima à fronteira com o Tibete. O desastre, ocorrido na quarta-feira (26), provocou uma enorme enxurrada de água, gelo, lama e pedras, deixando mais de 300 mortos e centenas de desaparecidos.

Agora, além das dificuldades enfrentadas pelas equipes de resgate, especialistas alertam para a possibilidade de novos deslizamentos e de uma nova onda de inundação na região. Um dos principais motivos de preocupação é a formação de um lago causado pelo bloqueio do curso de rios após o evento que atingiu a região montanhosa.

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (27), o lago está acumulando uma grande quantidade de água e existe o risco de que uma ruptura provoque uma nova inundação nas áreas localizadas rio abaixo.

Tragédia deixou centenas de mortos

O desastre começou na quarta-feira, quando um grande evento envolvendo gelo, rochas e detritos atingiu a região do Himalaia entre o Nepal e o Tibete.

As primeiras informações chegaram a apontar a possibilidade de um terremoto como causa do fenômeno. Posteriormente, análises realizadas por especialistas e pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicaram que o sinal sísmico registrado durante o episódio foi provocado pelo próprio colapso glacial e pelo fluxo de detritos.

A corrente avançou pelos vales e atingiu comunidades, estradas, pontes e estruturas de infraestrutura, provocando uma das maiores tragédias recentes na região.

O número de vítimas aumentou rapidamente durante as operações de busca. Dados divulgados nesta quinta-feira apontam para mais de 300 mortos entre Nepal e Tibete, enquanto mais de mil pessoas continuam desaparecidas.

O número exato ainda pode mudar à medida que as equipes conseguem acessar áreas que ficaram isoladas após a destruição de estradas e pontes.

Por que existe risco de uma nova inundação?

Um dos principais motivos de preocupação está relacionado aos rios afetados pelo grande volume de gelo, rochas, lama e outros detritos.

O material transportado pelo desastre acabou bloqueando parcialmente o curso de rios e contribuiu para a formação de um lago. Com o acúmulo de água, especialistas passaram a acompanhar o local devido ao risco de rompimento.

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, o lago já estaria acumulando aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos de água, e existe a previsão de que outros milhões de metros cúbicos possam chegar à região nos próximos dias.

Caso a estrutura natural que segura essa quantidade de água não suporte a pressão, uma ruptura poderia provocar uma nova onda de inundação, atingindo regiões localizadas abaixo do lago.

Por isso, autoridades recomendaram que moradores e outras pessoas evitem permanecer próximas às margens dos rios potencialmente afetados.

Região continua sob risco

O perigo não está restrito apenas à possibilidade de rompimento do lago.

As equipes que trabalham na região também enfrentam o risco de novos deslizamentos, quedas de rochas e movimentos de gelo. O terreno montanhoso foi severamente afetado pelo primeiro evento, deixando algumas áreas instáveis.

As condições dificultam o trabalho dos socorristas. Estradas foram destruídas, pontes desapareceram e vários pontos ficaram isolados.

Helicópteros vêm sendo utilizados para transportar equipes, retirar pessoas das áreas atingidas e levar alimentos, água e outros suprimentos para comunidades que permanecem sem acesso por terra.

O que provocou a avalanche?

As investigações indicam que o desastre teve origem em um processo complexo envolvendo uma geleira e um grande deslizamento de rochas.

Análises de imagens de satélite apontaram para o colapso de uma parte da geleira em uma região de grande altitude. O material teria despencado cerca de 1.200 metros, levando consigo gelo, rochas e sedimentos.

Ao atingir o vale, o material se transformou em um fluxo extremamente rápido de água e detritos, avançando pelos rios e provocando uma inundação repentina.

Especialistas também avaliam que o derretimento acelerado de neve e gelo pode ter contribuído para a instabilidade da região. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que é necessário analisar mais dados antes de estabelecer todas as causas do desastre.

Mudanças climáticas podem aumentar os riscos

O episódio também reacendeu o debate sobre os impactos das mudanças climáticas nas regiões de alta montanha.

O derretimento acelerado das geleiras pode aumentar a quantidade de água armazenada em lagos glaciais e contribuir para a instabilidade de encostas e estruturas de gelo.

Especialistas destacam que eventos desse tipo podem se tornar ainda mais perigosos quando grandes massas de gelo e rocha se deslocam em regiões montanhosas.

No entanto, os cientistas ainda estudam quais fatores específicos contribuíram para o colapso registrado no Nepal. A relação entre o aquecimento global e o episódio precisa ser analisada com cautela, embora o derretimento das geleiras seja considerado um fator de preocupação crescente no Himalaia.

Buscas continuam após a tragédia

Enquanto o risco de novos eventos é monitorado, as equipes de emergência continuam procurando sobreviventes e vítimas.

O número de desaparecidos permanece elevado, incluindo turistas e peregrinos de diferentes nacionalidades que estavam na região quando o desastre aconteceu.

A destruição de estradas, pontes e sistemas de comunicação dificulta o trabalho dos socorristas e o levantamento completo do número de vítimas.

As autoridades do Nepal e da China também reforçaram o monitoramento das áreas próximas aos rios e das regiões afetadas pelo colapso glacial.

Alerta permanece no Nepal

Apesar da tragédia já ter provocado centenas de mortes, o cenário ainda não é considerado totalmente seguro.

A possibilidade de novos deslizamentos e de uma eventual ruptura do lago formado pelos detritos mantém as autoridades em estado de atenção. Uma nova inundação poderia atingir áreas que já foram afetadas ou comunidades localizadas mais abaixo no curso dos rios.

Por isso, moradores e equipes de emergência permanecem sendo orientados a acompanhar os alertas oficiais e evitar áreas consideradas de risco.

O desastre no Nepal mostra como eventos envolvendo geleiras, rios e encostas podem provocar consequências devastadoras em poucos minutos. Enquanto as buscas continuam, especialistas seguem monitorando a região para tentar evitar que uma nova onda de destruição aumente ainda mais o número de vítimas.

O RN 24 Horas continuará acompanhando a situação e trazendo novas informações sobre as operações de resgate, o risco de novas inundações e as condições na fronteira entre o Nepal e o Tibete.

Sobre o autor: ismaelinacio@hotmail.com.br

Jornalista e redator da equipe RN 24 Horas.

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